E Se O Amor Chegar ??

“Então tá combinado,  é quase nada, é tudo somente sexo e amizade.”

Assim começa a letra da música ” Tá Combinado ” de  Caetano Veloso .

E assim , nesse mundo líquido em que vivemos, nossas relações escorrem como água entre os dedos, marcando a fragilidade dos laços humanos na atualidade.

Então, só nos resta combinar um amor também líquido , que seja marcado somente por momentos  bons de amizade e recheado pelo sexo, desde que seja casual, sem muito compromisso , sem muita invasão de espaços e com único objetivo de fazer lembrar que o gozo deve ser o objeto maior , mas como a demanda do gozo é tão grande o objeto tem que variar permanentemente.

Mas fica a pergunta contida na musica do Caetano: “E se o amor chegar pra nós, chegar de nós, de algum lugar. com todo seu tenebroso esplendor ?

Mas se o amor já está, se há muito tempo que chegou, e só nos enganou ?

então não fale nada, apague a estrada que seu caminhar já desenhou

Porque toda razão, toda palavra

Vale nada, quando chega o amor…

Abaixo temos uma escultura que pretende representar o amor, e ela parece querer nos dizer :  sim podemos nos amar mas, devemos manter uma certa “distância” pois um amor muito intenso pode nos proporcionar profundas perfurações .

Deixo também o linck  da música “Tá Combinado” brilhantemente interpretada

por Caetano e Gal.

 

 

 

 

 

 

 

Tá Combinado – Caetano Veloso e Gal Costa:https://www.youtube.com/watchv=PEzM_dzzyd4

 Tá combinado então, desde que o amor não chegue!!

 

Perdoe-o Senhor, Ele Sabe O Que Faz !

O presidente dos EUA, Barack Obama, visita nesta sexta-feira (27) a cidade japonesa de Hiroshima, onde os Estados Unidos lançaram a primeira bomba nuclear do mundo.

A bomba matou pelo menos 140 mil pessoas e praticamente destruiu a cidade, mas não se espera que Obama peça perdão durante sua passagem por Hiroshima.
Obama abraça sobrevivente de ataque atômico de Hiroshima
Reprodução/Twitter

Obama abraça sobrevivente de ataque atômico de Hiroshima
” Contudo, tenho a declarar a vós outros que me estais ouvindo: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam. “
Lucas 6:27,28

Solidão e Liberdade

Martin Heidegger (1889-1976) filósofo alemão nos diz em sua obra “Ser e Tempo” que ; “ Estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo.” É como se ao nascermos fôssemos lançados no mundo à nossa própria sorte.

Podemos ou não aceitar essa afirmação mas, segundo o Professor Jadir Lessa “ nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. A partir daí podemos construir dois estilos de vida diferentes: o autêntico e o inautêntico.”  

O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Desse modo não assume responsabilidade sobre as suas escolhas. Não aceita correr riscos para atingir seus objetivos, nem se sente responsável por sua existência, passando a buscar amparo e segurança nos outros. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história. Você já pensou nisso?” 

Sendo autêntico você assume a responsabilidade por todas as suas escolhas existenciais, aceita correr os riscos que forem necessários para atingir os seus objetivos, e passa a encontrar amparo e segurança em si mesmo. Com isso, apropria-se da existência, torna-se indivíduo, torna-se autônomo, torna-se dono da sua própria vida, dono da própria existência, torna-se senhor de si mesmo. Você se percebe sendo o senhor de si mesmo?”

Angústia 

A angústia provocada pela solidão é o sentimento que muitas pessoas experimentam quando se conscientizam de estarem sós no mundo. É o mal-estar que o ser humano experimenta quando descobre a possibilidade da morte em sua vida, tanto a morte física quanto a morte de cada uma das possibilidades da existência, a morte de cada desejo, de cada vontade, de cada projeto.”

Cada vez que você se frustra, que você não se supera, que você não consegue realizar seus próprios objetivos, você sente angústia. É como se você estivesse morrendo um pouco.”

Muitas pessoas sentem dificuldade de estarem a sós consigo mesmas. Não conseguem viver intensamente a sua própria vida. Muitas vezes elas acreditam que o brilho e o encantamento da vida se encontram no outro e não nelas mesmas. Sua vida tem um encantamento, um brilho, algo de especial porque é sua, apenas sua. Independentemente do que você esteja fazendo, sua vida pode ser intensa, prazerosa, simplesmente pelo fato de ser sua e por você ser único. Cada um de nós pode ser uma pessoa especial para si mesmo.”

Solidão:  a Condição do Ser 

A solidão é a condição do ser humano no mundo. Todo ser humano está só. Esta é a grande questão da existência, mas não significa uma coisa negativa, nem que precise de uma solução definitiva. Ou seja, a solução não é acabar com a solidão, não é deixar de sentir angústia, suprimindo este sentimento. A solução não é encontrar uma pessoa para preencher o vazio existencial, não é encontrar um hobby ou uma atividade. A solução não é se matar de trabalhar e se concentrar nisso para não se sentir sozinho. Também não é encontrar uma estratégia para driblar a solidão. A solução é aceitar que se está só no mundo. Simplesmente isso. E sabendo-se só no mundo, viver a própria vida, respeitar a própria vontade, expressar os próprios sentimentos, buscar a realização dos próprios desejos. Quando se faz isso, a vida se enche de significado, de um brilho especial.”

O objetivo não é fingir que a solidão não existe, não é buscar a companhia dos outros, porque mesmo junto com os outros você está e sempre será solitário.  O outro é muito importante para compartilhar, trocar. O outro é muito importante para a convivência, mas não para preencher a vida, não para dar sentido e significado à uma outra existência. A presença do outro nos ajuda, compartilhando, mostrando a parte dele, dando aquilo que não temos e recebendo aquilo que temos para dar, efetivando a troca. Mas o outro não é o elemento fundamental para saciar a angústia ou para minimizar a condição de solidão.”  

Cada um de nós nasceu só, vive só e vai morrer só.” 

A experiência de cada um de nós é única. O nascimento é uma experiência única, pois ninguém nasce pelo outro. Da mesma forma que a morte é uma experiência única, pois ninguém morre pelo outro. E a vida inteira, cada momento, cada segundo da existência, é uma experiência única pois ninguém vive pelo outro.”

Psicólogo Jadir Lessa
Psicoterapeuta Existencial
Autor dos livros Solidão e Liberdade e A Construção do Poder Pessoal e de diversas palestras em CD

A

Lê Vase Brisē (O vaso quebrado)

 

Depois que estudei e passei a entender um pouco da psicanálise freudiana,passei a acreditar que a palavra cura, terapia é a cura pela palavra, se falamos dos traumas, dos sintomas, angustias, culpas  e outros  males do inconscientes, conseguimos elaborar melhor a nossa relação com nosso eu. “Conheça-te a ti mesmo” , principio da filosofia socrática.

Lendo a introdução do livro Pecar e Perdoar do brilhante historiador Leandro Karnal, em suas considerações finais , deparei com uma declaração factual do encontro dele consigo mesmo e com sua própria verdade a qual transcrevo abaixo .

” Cresci acreditando que,dentre minhas virtudes, perdoar brilhava com intensidlade. Orgulhava-me da rapidez com que aceitava, com sinceridade, desculpas pelas falhas alheias. Exultava em perceber que incorporava o faltoso ao meu universo afetivo com rapidez, como se nada houvesse ocorrido. Sentia que não havia rancores expressivos no meu espírito, quando enfrentava dissabores ou decepções. Eu me irritava muito. Meu gênio sempre teve um caráter de ira imediata e potente. Porém, passada a raiva momentânea , normalizado o rítimo cardíaco, eu sorria ou brincava com o faltoso. Nunca fui um ser tão cordato quanto eu gostaria, mas supunha-me não vingativo e de fácil perdão. Conhecer-se, socraticamente  ,o início árduo da filosofia…

Um dia , fui obrigado a me conhecer mais. Já adulto, fui ferido por uma pessoa muito próxima e muito importante para mim. Pior , a ofensa ocorreu em um campo muito sensível para mim.O trabalho. Um incidente colocou-me em choque com uma grande amiga. Senti-me atacado diretamente. Alguém que eu tinha em alta conta produziu atitudes com intuito de me prejudicar. Talvez voçê , que está lendo isto, já tenha passado por essa experiência. É um soco no estômago. A traição, o ato agressivo, a seta com veneno disparada por arco amigo. Fiquei sem chão, misturando duas dores muito intensas: a dor pelo ato em si e a dor por ter sido perpetrada por quem jamais  esperaria. Doeu esse soco simbólico e doeu muito pelo punho que o desferia. Dois nocautes e eu esticado na lona da decepção.

Bem, como disse, até então eu perdoava fácil. Mas percebi que, até então , nunca tinha sido genuinamente ofendido no ponto que importava. As muitas brigas que tive , as pequenas e médias decepções diante do mundo, as falhas minhas e alheias tinham sido epiteliais. Eu estava diante de um fato novo: não precisava perdoar algo fácil de perdoar, mas algo muito difícil. Na verdade , eu estava confrontando a primeira necessidade de perdoar. Nesse dia, caro leitor, querida leitora, eu me descobri muito humano. Não conseguia perdoar. Notava, surpreendido, um obstáculo interno, uma dor, uma ferida que sangrava e recusava ataduras. Tinha sido mentira o que eu supunha até então: eu não era uma pessoa de fácil perdão. Eu me descobri rancoroso, repleto de raiva, transbordando no fel escuro e viscoso da decepção. Eu cultivava essa dor . O pensamento voltava com frequência: como ela foi capaz?

Conversamos sobre o episódio mais de uma vez. Analisamos o evento. Choramos ambos. Houve ,depois de um tempo, genuíno e sincero sentimento de arrependimento. Havia o momento quase literário de ambos trocarmos sentido abraço e entender que sim, houve um erro e que aceitar o erro era parte do aprendizado da amizade. As cordas do violino do perdão estavam esticadas e afinadas, esperando apenas que eu tomasse do arco e as fizesse soar. Mas o arco permaneceu sobre o aparador imaginário…

Lembrei-me de um poema que estudei na juventude. Era “Le vase brisé” ( O vaso quebrado), de Sully Prudhomme. O poema narrava que um vaso fora quebrado e que, apesar de não ser percepítivel aos olhares do mundo não poderia mais ser tocado. O poema francês, as relações era como o fino vaso, mas que suas rachaduras permaneceriam e que, um dia, ao toque simples, revelariam a fratura. O vaso era o coração humano. O poema, lido trinta anos antes, voltava com força. Seria possível refazer o vaso? Confiança seria como virgindade: só seria possível perder uma vez?

Prudhomme ganhou o prêmio Nobel de literatura, em 1901. Seus versos voaram na minha mente muitas vezes. Metáforas são boas? Vasos são inertes; pessoas são orgânicas. Seria válida a comparação? Qual o limite da reconstrução da confiança?

Viver é sempre perigoso, envolve acidentes de percurso.”

Lenadro Karnal usou dessas palavras para escrever um belíssimo livro, Pecar e Perdoar, que fala sobre a contrução das religiões.

Vale a pena ler.

Título Pecar e Perdoar.

Deus e o homem na história.

Autor: Leandro Karnal.

Editora: Nova Fronteira-2014.

 

 

Ultimatum A todos Eles.

Mandado de Despejo aos Mandarins do Mundo.

Fora tu, reles esnobe plebeu

E fora tu, imperialista das sucatas,

Charlatão da sinceridade e tu da juba socialista

E  tu qualquer outro

Ultimatum a todos eles

E a todos que sejam como eles, todos

Monte de tijolos com pretensões a casa,

Inútil luxo, megalomania triunfante

E tu Brasil blague de Pedro Alvares Cabral

Que nem te queria te descobrir.

Ultimatum a voz que confundis o humano com o popular,

Que  confundis tudo

Vós anarquistas deveras sinceros

Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores

Para quererem deixar de trabalhar

Sim todos, vós que representais o mundo

Homens altos

Passai por baixo do meu desprezo

Passai aristocratas de tanga de ouro

Passai frouxos

Passai radicais do pouco

Que acredita neles

Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas

Fechem-me isso tudo a chave e deitem as chaves fora

Sufoco de ter somente isso a minha volta

Deixem-me respirar

Abbram todas as janelas

Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo

Nenhuma idéia grande

Nenhuma corrente política que soe a uma idéia, grão !

E o mundo quer a inteligência nova, a sensibilidade nova.

O mundo tem sede de que se crie

O que ai está a apodrecer a vida,

Quando muito é estrume para o futuro.

O que aí está não pode durar porque não é nada.

Eu da raça dos navegadores afirmo

Que não pode durar.

Eu da raça dos descobridires desprezo

O que seja menos que descobrir um novo mundo

Proclamo isso bem alto, braços erguidos

Citando o Atlântico

E saudando abstratamente o infinito.

 

Essa belezura não foi escrito por mim, foi Alvaro de Campos quem escreveu em 1917 Parece uma fala atemporal, e é !

Que bom se todos gostassem de ler e conseguissem entender? Talvez o mundo fosse melhor, talvez não! Com certeza.!!!!!!!

 

 

Um Poeta Pode Ser Tudo ! Lula Não!!!

Ouvindo Lula da Silva,depois do depoimento,  cheguei a pensar  que ele fosse um poeta. Aos poetas é dada a permissão para errar e erros repetidos à exaustão, se transformam em acertos.

No Meio Do Caminho    ( Carlos Drummond de Andrade )

No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida das minhas retinas tão fatigadas

Nunca esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra.

O verbo ter é usado por Drummond no sentido de existir, está errado literalmente, ter em português só pode ser sinônimo de possuir, mas não está errado poeticamente, pois, a licença poética permite que seja usado desta forma.

Os poetas podem tudo !

Lula Não !!!

AUTOPSICOGRAFIA ( Fernando Pessoa )
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

 

Aqui o poeta Fernando  Pessoa , dizendo que o poeta é um fingidor , o que cabe como uma luva  para o nosso ex presidente, também concede aos poetas a possibilidade de fingir até  chegar a fingir que é dor a dor que deveras sente.

Afinal quem poderia fingir de tal forma ?

Abaixo, Manuel de Barros, um alquimista das palavra, consegue fazer poesia com a pureza só encontrada nas crianças, mente poéticamente tão bem, que consegue transformar o nada em tudo , com surpreendente humildade e cristalina simplicidade.

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

Luiz Inácio Lula da Silva poderia sim ser poeta, ou pelo menos ter licença para ser um grande homem,teve tudo em suas mãos, todas as ferramentas para brilhar mas, talvez seu narcisismo tenha afetado seu desempenho , e fez com que a sua obra perdesse toda a licença inclusive a poética.

Os poetas podem tudo!

Lula não !!!

Ele não é poeta, faltou humildade , simplicidade e outras qualidades que os poetas têm e se ele tivesse ( no sentido de possuir ) fariam diminuir sua gigantesca ferida narcísica, que como um câncer letal  tirou todo seu brilhantismo e pode eliminá-lo da vida política.

Mas nem tudo está perdido.

Ainda tem jeito sim Lula, talvez de ser presidente outra vez não , mas de mudar internamente sim , quem  sabe começar reconhecendo que  errou, que mentiu, usou indevidamente o que não era seu e outras coisas erradas que todos nós podemos fazer.

Pra você que sempre gostou de frases de efeito, vou colocar duas que podem ajudar:

“Errar é Humano”

” Antes tarde do que nunca”

E deixo também alguns conselhos ( é o que a situação econõmica permite no momento)

Matricule-se numa boa escola em tempo integral (você agora vai ter tempo) , leia muito, principalmente os grandes autores, pra você que gosta de política indico Maquiavel, dizem que o Juiz Sérgio Moro leu e adorou.

 A leitura  transforma as pessoas e olha Lula, não precisa nem contar dessa transformação para ningúém, é importante que essas mudanças sejam feitas pra você mesmo, e não pra mostrar aos brasileiros, até porque eles podem não acreditar.

Nós brasileiros reconhecemos a sua capacidade e acreditamos, quem sabe, que você chegue a ser um grande poeta.

Afinal: ”  Um Poeta Pode Ser Tudo” .

Não desista Lula , talvez você possa !

Quem sabe ????

 .

Vida de Galinha

Darcy Ribeiro,comunista como não se vê mais, defensor  das comunidades indígenas, dizia que no Brasil  dificilmente se encontra um bezerro perdido, mas em conpensação, encontrar crianças abandonadas,  já se tornou uma coisa comum.

Admiro pessoas que dedicam a vida para defender a vida em qualquer dimensão, seja ela humana , vegetal ou animal.

Há que se respeitar a vida.

E para me engajar, em favor da vida,  resolvi lançar um manifesto em defesa das galinhas.

Por achar um verdadeiro absurdo o que a epigenética e os humanos estão fazendo com essa espécie tão desprotegida.

Até poucos anos atrás as galinhas tinham uma vida naturalmente exenmplar, dormiam ao anoitecer e eram criadas ssoltas pelos campos,  niguém precisava obrigá-las a se recolher, ao anoitecer elas caminhavam para o terreiro,  subiam nos seu puleiros e estimuladas pela melatonina produzida por suas glândulas pineais, domiam um sono profundo até que os primeiros raios solares despontavam, anunciando um novo dia e o galo, líder da comunidade galinácea, cantava prenunciando a alvorada e elas saiam plenas de alegria  obedecendo os estímulos naturais sem apresentar qualquer stress .

Viviam o seu ciclo natural de vida e por se alimentarem bem  e viverem livremente perpetuavam a espécie pondo os seus ovos, que também eram aproveitados por nós humanos em saudáveis refeiçōes.

Hoje, infelizmente , não é mais assim, para aumentar a produção de carne, e baratear custos, nós humanos transformamos a vida das galinhas num verdadeiro inferno.

Elas já não podem dormir ao anoitecer, são confinadas logo após ao nascimento e nas granjas a iluminação intensa, a falta proposital de espaço e a alimentação com raçôes preparadas com medicamentos, promove um crescimento acelerado das aves, a vida sedentária os medicamentos o excesso de alimensos, transformou essa espécie animal em verdadeiros canibais, que começaram a bicar umas as outras o que obrigou os donos das granjas a amputar   seus bicos  num procedimento chamado  debicagem.

E o velho ditado ” De grão em grão a galinha enche o papo” mudou para “De porção em porção a galinha enche o papo.”

A carne chega aos nossos pratos macia e obesa o que é causado pela falta de exercício e pelo excesso de alimentação,  impregnada de hormônios e antibióticos os ossos fracos pela fata de sol e das vitaminas que não são mais  ingeridas na alimentação natural e a vida   agora não é livre e sim confinada.

Fíca aí o meu manifesto em favor das galinhas e uma observação importante, baseada  nesse manifesto.

Se vocé está dormindo tarde, pouco e mal , acordando cansado como se não tivesse dormido, se alimentando de fast food, refrigerante e produtos industrializados, toma pouca água, é sedentário, está com sobrepeso ou obeso, com osteoporose, diabetes, artrite ou qualquer outra doença auto imune ou degenerativa, deprimido, nervoso, impaciente esquecido. E se sente confinado.

Cuidado você pode estar vivendo como as galinhas atuais.

Elas, são obrigadas a. aceitar o que lhes é imposto por nós humanos.

Alguns de nós ainda pode escolher um estilo de vida mais saudável.

 

 

O Valor da Vida

 

Sempre tive muita curiosidade de saber qual o valor  da vida, acho até que este foi um dos fortes motivos que me levaram a fazer uma graduação em psicologia e depois uma pós em pscanálise. Explorar a alma humana é pra mim instigante, mesmo sabendo que tentar penetrar na mente humana é como explorar um universo sem fronteiras.

Dia desses deparei com umas anotações da minha pós, se tratava de uma entrevista de Freud, já no final de sua vida, em que ele declarou que:

“Os meus setenta anos me ensinaram a aceitar a vida com serena humildade.”

Nos idos de 1926, quando essa entrevista foi feita, viver setenta anos  ultrapassava a média de vida e nessa idade, ele lutava contra um câncer no maxilar, que o obrigou a usar uma prótese que dificultava muito a sua fala e causava grande sofrimento.

Apesar de todos os problemas que a vida impôs, manteve até o final uma mente alerta, um espírito firme e uma cortesia impecável a ponto de declarar que:

“Talvez os Deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim a morte nos parece menos intolerável  do que os fardos que carregamos.

Por que deveria eu esperar um tratamento especial. A velhice com suas agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal com mais de setenta anos tive o bastante para comer, apreciei muitas coisas, a companhia de minha mulher, dos meus filhos, o por do sol.

Observei as plantas na primavera, e de vez em quando tive uma mão amiga para apertar, vez por outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu.

Que mais posso querer ?”

É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.

Assim como o amor e o ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.

O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.

Parece filosofia da autodestruição que justificaria o auto-extermínio e que levaria logicamente ao suicídio universal.

Mas Freud nos diz que a humanidade não acolhe o suicídio por que a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim.

A vida tem que completar seu ciclo de existência. Em todo ser normal a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte embora no final resulte mais forte.

                           ” Quaisquer Deuses que existam

                            Que vida nenhuma viva para sempre

                             Que os mortos jamais se levantem

                             E também o rio mais cansado

                             Desague tranquilo no mar”

 QUAL O VALOR DA SUA VIDA….   ?

Se  você já fez 70 anos responda esta pergunta pra voçê mesmo.

Se você não fez ainda vá pensando numa resposta.

Se você não está nem aí para esse questionamento, a resposta já está dada.

Gostaria de informar aos meus queridos leitores, principalmente a um em especial que por diversas vezes manifestou estar sentindo falta dos meus escritos.

Que voltei, pois a minha emoção é grande,a saudade era maior e voltei para ficar.

Há Algo De Podre No Mundo !

As tragédias, sejam as do teatro ou as da vida real, servem para fazer eclodir uma reação  contra alguma situação que não vai bem e que metafóricamente emana um odor que a nossa memória olfativa não consegue identificar bem do que se trata.

Medéia teve que matar os filhos, Édípo arrancou os olhos, Hamelet chega ao reino da Dinamarca e encontra seu pai morto e sua mãe casada com seu tio, Jesus foi crucificado os judeus passaram pelo holocausto, no Oriente japoneses foram massacrados em Hirochima e Nagasaki, o planeta suportou duas guerras mundiais, e mais perto de nós, o nosso Brasil vem, desde sua descoberta pelos portugueses , até hoje  sofrendo tragédias sucessivas e sentido esse cheiro insuportável que não nos deixa esquecer que há algo de podre entre nós. A lista é interminável !

E esse cheiro de podre entra sem pedir licença, pelo nosso nariz e não conseguimos levantar o tapete para descobrir a sujeira que nós  fabricamos  e as encobrimos por não termos coragem de encarar de frente a gangrena putrescente que fermenta e produz gazes mal cheirosos.

Em Minas Gerais, cães farejam a lama para descobrir os mortos que impiedosamente foram sacrificados por montanhas de lama fabricadas pela ganância das multinacionais que em nome da produção de riqueza produzem lucro voraz que não faz melhorar o bem estar social e acabam com a natureza e os que precisam dela para viver .

Na França inocentes morrem sem saber porque, em nome de religiões que pregam o oposto daquilo que seus seguidores praticam.

Sim  há algo de podre na minha casa, na minha família, na minha cidade, no meu país, no meu continente, no mundo e apesar de sentir o cheiro, não consigo saber o que é.

Fico achando que é o cheiro do ralo, é, talvez seja, mas tenho  a sensação que não consigo resolver.

É melhor tomar um banho, colocar um bom perfume francês e sair por aí fingindo que está tudo bem, até que venha a próxima tragédia.

E vamos vivendo com medo, mas é normal pois quem tem Cunha tem que ter medo.